quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O adeus ao grande mestre


A ciência brasileira perde um dos mais notáveis estudiosos no ramo da agricultura, reconhecido internacionalmente, admirado entre seus pares e referência para várias gerações de pesquisadores faleceu no dia 19 o grande mestre Eurípedes Malavolta. Professor Malavolta, como era conhecido, contribuiu sobremaneira para a evolução da cafeicultura nacional, destacado pelos estudos pioneiros na área de solos e nutrição de plantas. Foi membro da Academia Brasileira de Ciências desde 1964 e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo desde 1972. Membro honorário da Sociedade Colombiana de Ciências do Solo, da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, da Sociedade Internacional de Ciência do Solo e da Third World Academy of Sciences.Natural de Araraquara, SP, concluiu a graduação em Engenharia Agronômica em 1946 na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" ESALQ, onde também iniciou a carreira docente como assistente de José de Mello Moraes com quem fez a Livre-docência (1951) e obteve a Cátedra de Química Orgânica e Química Biológica em 1958. Foi pesquisador e professor visitante por períodos curtos em várias universidades: Universidade da Califórnia (Berkeley), Kearney Foundation of Soil Science, Ohio State University, (Columbus – USA), além de universidades na Argentina, Paraguai, Peru, Venezuela e Colômbia.Tem 45 livros publicados - em português, espanhol, inglês, hindi e chinês -, outros 70 capítulos em diversas obras e reúne 554 artigos em periódicos especializados e 84 trabalhos em anais de eventos, publicados no Brasil e no exterior. É autor dos livros Manual de Química Agrícola, Adubos e Adubações e Manual de Nutrição Mineral de Plantas. Na área de fertilizantes, desenvolveu dois adubos (Fosmag, da Manah e Nitrosulfocalcio, da Petrofertil). Proferiu cerca de 370 palestras e participou de cerca de 200 reuniões científicas no Brasil e exterior. Foi orientador de 40 mestres e 64 doutores na área de agronomia e estava orientando mais três doutorandos. Aposentou-se da Luiz de Queiroz em 1984 e desde então trabalhava como pesquisador no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) que ajudou a fundar. Também coordenava seis projetos de pesquisa, com ênfase em nutrição mineral de plantas, fertilidade do solo, adubação e aspectos ambientais do uso de fertilizantes e corretivos, interagindo com as áreas acadêmicas, empresas agrícolas e de fertilizantes e órgãos oficiais."A celulose das árvores que foram cortadas para o papel do muito demasiado que escrevi ou publiquei – as apostilas escritas para aprender, os livros escritos para ensinar, os livros editados, vertidos e traduzidos para línguas que eu não sei nem ler nem escrever. Mas que alguém está lendo neste mundo vasto mundo, uma outra verdade nova, ou mentira interina, que com pesquisa e experimentação, se me revelou os alunos todos, quantos não sei, que repartiram comigo a alegria da busca da verdade, na maioria das vezes, e o desapontamento de um ou outra frustração... Por esta contemplação sem ordem, cronologia ou geografia, passa a sucessão das estações do ano que vejo nas plantas e nas culturas: germinações, brotações, colheita – vida plena e vida suspensa...."Trecho das memórias escritas em 2007 pelo professor Malavolta: "Canto dos 80 anos".

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